segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009




"Através da luta da militância extraordinária do PT, nós vamos começar a preparar a nossa festa dos 30 anos construindo um programa que garanta a continuidade das mudanças implementadas pelo governo Lula e que o povo brasileiro aprovou. Quem tem um sonho e quer mudar a realidade do nosso país não pode descansar em momento algum na preparação do caminho para reeleger em 2010 o projeto político que o PT lidera hoje no país".
Com essas palavras, o presidente nacional do PT, Ricardo Berzoini abriu a festa de comemoração dos 29 anos do partido na noite de terça-feira (10), no Clube Vila Rizza, em Brasília, que reuniu mais de 1.500 pessoas e contou com a presença de dirigentes nacionais, estaduais, militantes, diversos ministros de Estado, lideranças e parlamentares petistas e de partidos aliados.
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Participaram do ato político, além do presidente Ricardo Berzoini, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff; o governador do Piauí, Welington Dias; o deputado federal Cândido Vaccarezza, líder da bancada petista na Câmara; o presidente nacional do Partido Comunista do Brasil, Renato Rabelo; o presidente da Fundação Perseu Abramo, Nilmário Miranda e o presidente da Frente Nacional de Prefeitos, João Paulo Lima e Silva.
Berzoini lembrou ainda que o país enfrenta um cenário de crise econômica mundial de maneira totalmente diferente do que ocorria no passado, quando havia arrocho salarial e pacotes econômicos que prejudicavam as classes mais pobres.
Hoje, segundo ele, o governo federal liderado pelo presidente Lula dá o exemplo para todo o mundo de como enfrentar uma crise econômica, com reajuste do salário mínimo, algo inconcebível no passado; ampliação dos investimentos no Programa de Aceleração do Crescimento e implantação de um novo programa de moradia popular para estimular a geração de empregos na construção civil, entre outras medidas de impacto contra a crise.
A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, falando em nome dos ministros presentes, afirmou que os 29 anos do PT marcam a celebração de um partido democrático, socialista e transformador que soube unir os movimentos sociais e as lutas libertárias do país em um projeto político inovador para mudar a sociedade brasileira.
"Um partido que nasceu da resistência à ditadura militar, do cárcere e do exílio para construir um país mais democrático e mais fraterno, para garantir com firmeza a nossa soberania e defender as nossas riquezas e as empresas públicas", acrescentou a ministra.
Destacando que em sua trajetória histórica, o PT mudou, mas nunca mudou de lado, a ministra fez uma saudação a todos os companheiros e companheiras que faleceram durante a trajetória política do partido, citando como símbolos Sérgio Buarque de Hollanda, Chico Mendes e o deputado federal Adão Pretto.
O presidente nacional do PCdoB, Renato Rabelo, falou em nome dos representantes dos partidos aliados presentes ao ato e destacou a atuação do PT como exemplo de partido que luta pela democracia, liberdade, direitos humanos, na defesa da soberania e da integração continental. Ele afirmou que o PCdoB tem orgulho de ser parceiro político do PT desde 1989 e de participar das vitórias de Lula.
Durante o ato de abertura da festa dos 29 anos, que teve como mestre de cerimônia o ator Sérgio Mamberti, a secretária nacional de Cultura, Morgana Eneile, fez a entrega da premiação aos autores vencedores do 1º Concurso Nacional de Músicas de Campanha 2008 e a secretária nacional de Juventude, Severine Macedo, lançou a Cartilha de Formação da Juventude do PT.

Um comentário:

  1. PT 29 anos: uma história , um exemplo, um desafio
    16/2/2009 15:15:00 Por: Péricles de Holleben Mello

    O Partido dos Trabalhadores foi fundado em 10 de fevereiro de 1980, num histórico encontro nacional em São Paulo, no Colégio Sion, no qual tive a honra de participar. O PT tem como nascedouro as históricas greves do ABC de 1978 e 1979, nas quais se forjou a liderança de Lula; é também depositário das lutas contra a ditadura militar e pela anistia, do movimento estudantil, da experiência de toda uma geração de militantes de inúmeras correntes políticas. O PT nasceu para combater o regime militar e sob o signo da opção pelos pobres, da justiça social e da liberdade.





    A própria composição do PT apontava, desde o início, para uma concepção política que rejeitava os modelos rígidos então ainda em vigor em boa parte do mundo. Assim, o socialismo petista, elaborado ao longo dos anos e num processo intenso de debates, tinha a marca da liberdade: da mesma forma que combatíamos a ditadura em nosso país, também não aceitávamos que, em nome do socialismo, os direitos políticos e individuais fossem pisoteados.





    Estou convencido de que o balanço desses 29 anos de história do PT é francamente positivo. O Partido dos Trabalhadores cresceu em íntima ligação com os movimentos sociais, tendo sido a principal alavanca política para a fundação da Central Única dos Trabalhadores - CUT, em 1983, e de inúmeras outras entidades sindicais, de trabalhadores rurais, de movimentos pela moradia, saúde, educação; à medida em que crescia, o PT via-se diante do desafio de assumir responsabilidades institucionais e de provar sua maturidade nos parlamentos e nas administrações municipais, estaduais e, a partir de 2003, na Presidência da República. Nosso partido teve uma participação destacada em todos os grandes momentos da vida política nacional, como na campanha das Diretas-Já, na luta pelo impeachment de Collor e muitos outros.





    Esse esforço foi, a meu ver, plenamente exitoso: o PT deixou sua assinatura em tudo o que fez, trazendo transparência à atuação parlamentar, democratizando as administrações, nas quais a participação popular foi uma constante, criando e ampliando os programas sociais, criando novas bases para a educação pública. Em seis anos de governo Lula, o Brasil mudou: a economia cresce sem os sobressaltos habituais de nosso passado recente e remoto; os programas sociais beneficiam dezenas de milhões de brasileiros; a parcela mais pobre da população passa a ter acesso a uma fatia cada vez maior do bolo; o Brasil passou a ser respeitado internacionalmente e a estender suas relações com a África, a China, a Índia e a Rússia.





    Evidentemente, nem tudo são flores neste percurso. O PT cometeu erros graves, que estiveram no noticiário nos últimos anos, os quais não podem ser ignorados nem deixar de ser debatidos e corrigidos. Entendo que o PT não é uma ilha. O partido está inserido na sociedade, mantém relações com os diversos atores sociais e carrega inevitavelmente, dentro de si, os vícios dos quais esta sociedade ainda não se viu livre.



    Cabe ao PT e às suas instâncias adotar as providências necessárias para evitar que esses vícios proliferem no interior do partido, da mesma forma que os combatemos no conjunto da sociedade. O PT não poderia ter a arrogância de se imaginar puro e a salvo das contradições sociais, arrogância pela qual fomos criticados por nossos adversários, muitas vezes justamente.





    Mesmo com todos os percalços enfrentados, o PT continua sendo uma referência para a população brasileira e o partido de maior apoio popular. No entanto, temos um grande desafio, principalmente levando-se em conta que em menos de dois anos Lula já não será o presidente do país.



    Acredito que o caminho está em nossa própria história: ampliar a democracia interna, repactuar as relações internas, reforçar o entendimento de que os mandatos são coletivos, valorizar o debate, particularmente sobre as crises deflagradas nos últimos anos, e elaborar e propor soluções. Não podemos esquecer que não somos uma ilha, mas também não podemos utilizar isso como desculpa para os nossos erros.

    Porém, o PT já mostrou ao longo de sua trajetória que tem vitalidade e pode perfeitamente vencer esse enorme desafio.





    Péricles de Holleben Mello é deputado estadual, líder da Bancada do PT na Assembleia Legislativa do Paraná

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